Treinadores negros são muito raros no futebol brasileiro

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São Paulo (AFP) – Pelé, Ronaldo, Ronaldinho, Neymar: O Brasil tem uma longa lista de lendários craques do futebol negro e mestiço. Mas o banco do treinador continua sendo um domínio predominantemente branco.

Mais de seis décadas depois que Pelé levou a Seleção ao primeiro de seus cinco títulos mundiais, em 1958, preconceito e discriminação ainda dividem o futebol brasileiro, reflexo do racismo estrutural no último país das Américas a abolir a escravidão, dizem especialistas.

Dos 20 times da primeira divisão brasileira, apenas um, o Goiás, tem atualmente um técnico negro: Jair Ventura, filho do talismã vencedor da Copa do Mundo de 1970, Jairzinho.

Na maioria das temporadas, não há nenhuma.

“O mais impressionante disso não é que não existam treinadores negros… é que o debate nem existe no futebol brasileiro”, diz Marcelo Carvalho, diretor-executivo do Observatório da Discriminação Racial no Futebol.

Nos Estados Unidos e na Europa, a falta de treinadores negros em esportes profissionais há muito atrai críticas.

No Brasil, o problema mal foi registrado, disse Carvalho à AFP.

“É normal na sociedade brasileira não ter negros nesses espaços. Por quê? Porque no Brasil não é comum ter negros em nenhum cargo de poder. O futebol só reflete… nossa sociedade racista”, diz.

Técnico do Grêmio, Roger Machado diz que as pessoas geralmente assumem que ele é guarda-costas quando sai com a filha mestiça PISCINA SANTIAGO ARCOS / AFP / Arquivo

Os brasileiros negros e mestiços representam 55,8% dos 213 milhões de habitantes do país. Mas eles ocupam apenas 24,4% das cadeiras no Congresso e 29,9% dos cargos de gestão, segundo o Instituto Nacional de Estatística, IBGE.

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Legado doloroso

Da Seleção ao campeonato nacional, os amados times de futebol do Brasil normalmente refletem a diversidade racial do país.

Mas os trabalhos de coaching são outra questão.

Poucos homens negros treinaram na primeira divisão nos últimos anos: Andrade, Cristovão Borges, Marcao e Roger Machado, além de Ventura.

Vanderlei Luxemburgo é um dos dois homens negros que treinaram a seleção brasileira, embora ele só tenha se identificado publicamente como negro mais tarde na vida.
Vanderlei Luxemburgo é um dos dois homens negros que treinaram a seleção brasileira, embora ele só tenha se identificado publicamente como negro mais tarde na vida. JUAN MABROMATA AFP / Arquivo

A seleção já teve dois treinadores negros: Gentil Cardoso (1959) e Vanderlei Luxemburgo (1998-2000) – embora em um sinal de quão confusa a questão da raça pode ser, o relativamente claro Luxemburgo, que passou a treinar o Real Madrid, auto-identificado publicamente como negro apenas mais tarde na vida.

“Há um preconceito estrutural… contra os treinadores negros”, disse o atual técnico da Seleção, Tite, em outubro.

Especialistas dizem que isso faz parte do legado da escravidão e dos sistemas que mantiveram os negros em posições de poder depois que o Brasil a aboliu em 1888.

“Depois que a escravidão acabou, o Brasil nunca teve uma política de oportunidades para os negros, então ficou enraizada na sociedade a ideia de que os negros não estão ocupando esses espaços porque não querem ou são intelectualmente inferiores”, diz Carvalho.

‘Autorizado’ por Bolsonaro

Roger Machado, treinador de 47 anos do Grêmio, da segunda divisão, diz que sentiu a picada do racismo e da discriminação ao longo de sua vida, dentro e fora de campo.

Machado, que já treinou alguns dos principais times do Brasil, incluindo Atlético Mineiro, Palmeiras e Fluminense, diz que as pessoas geralmente assumem que ele é um guarda-costas quando sai com sua filha mestiça.

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“O futebol mostra o que somos como sociedade”, disse à AFP.

“Quando os negros começam a escalar a pirâmide social, os filtros começam a aparecer – os filtros criados pelo racismo que dizem que os negros são menos inteligentes, menos capazes de liderança e gestão.”

Ele diz que o problema só se agravou com o presidente de extrema-direita Jair Bolsonaro, que enfrentou acusações frequentes de racismo.

“Os indivíduos (racistas) que estavam escondidos agora se sentem autorizados a falar de acordo com as posições e pontos de vista do líder de nossa nação”, diz ele.

“Temos que resistir a isso.”

O Brasil precisa de educação e políticas públicas para superar o “tabu” em torno do enfrentamento do racismo no futebol, diz a socióloga Danielle Cireno, da Universidade Federal de Minas Gerais.

“Temos cotas raciais para universidades e empregos no governo. Por que não podemos ao menos sugerir a ideia de apresentá-las para treinadores?” ela diz.

O Brasil não está sozinho na ausência de treinadores negros, no entanto.

Na última Copa do Mundo, apenas um dos 32 treinadores era negro, incluindo os cinco times da África: Aliou Cisse, do Senegal.

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