Petróleo

Opep reduz previsão de crescimento da demanda de petróleo em 2019

A Organização dos Paises Produtores de Petróleo (Opep) rebaixou nesta quinta-feira sua previsão de crescimento da demanda por petróleo em 2019 pela quarta vez em cinco meses, apontando incertezas econômicas relacionadas às tensões comerciais entre EUA e China, bem como ao Brexit, entre outros fatores.

Em seu relatório mensal, a Opep disse que espera uma desaceleração no aumento da demanda global de petróleo neste ano, reduzindo sua estimativa para 980 mil barris por dia. Embora o corte tenha sido de apenas 40 mil barris por dia, é o terceiro mês consecutivo em que acontece uma redução, à medida que o cartel enfrenta uma crescente oferta de países não membros, como os EUA. Para 2020, a Opep manteve a expectativa de demanda de 1,08 milhão de barris por dia.

A Opep também cortou suas previsões de crescimento da oferta para 2019, para 1,08 milhão de barris por dia (menos 160 mil), e para 2020, para 2,2 milhões (menos cinco mil) para países não-membros da Opep, citando revisões em baixa nos EUA, Reino Unido e Noruega superando as mudanças em alta na oferta do Cazaquistão e da China.

“Entre outras questões, parece cada vez mais provável que a desaceleração do crescimento nos EUA continue até 2020, enquanto as incertezas em torno da UE, incluindo o Brexit, permanecerão”, disse o relatório, referindo-se às perspectivas sombrias para a economia global.

Os dados mais recentes disponíveis das nações da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) das Américas e Ásia-Pacífico levaram ao mais recente rebaixamento do crescimento da demanda, disse a Opep.

Os preços do petróleo subiram vertiginosamente no mês passado, com ataques a instalações cruciais de processamento de petróleo sauditas em Abqaiq e Khurais, destruindo 5% do suprimento global de petróleo e provocando aumentos históricos nos preços diários.

No entanto, esses ganhos evaporaram rapidamente, pois a Saudi Aramco restaurou a maior parte de sua produção perdida mais rapidamente do que o esperado e cumpriu os embarques programados. A produção saudita caiu 660 mil barris por dia em setembro.

Os ataques ocorreram apenas alguns dias após a Opep e seus aliados se reunirem em Abu Dhabi e adiarem as negociações para aprofundar o corte de oferta de petróleo. Eles tentaram reforçar a adesão a cortes pré-acordados e extrair cerca de 400 mil barris do que alguns delegados chamavam de “cortes ocultos”.

O Iraque e a Nigéria – que desrespeitaram repetidamente suas cotas de produção – concordaram com novos cortes no final da reunião. Enquanto a produção diária iraquiana caiu 30 mil barris por dia, a produção da Nigéria subiu 110 mil barris por dia. Enquanto isso, a produção aumentou entre 40 mil e 50 mil barris por dia no Congo, Angola e Kuwait. A produção venezuelana caiu 184 mil barris por dia, com o país sul-americano enfrentando desordem socioeconômica.

A Opep e seus aliados devem se reunir novamente em Viena no início de dezembro e, enquanto o petróleo Brent caiu 30% nos últimos 12 meses, o secretário-geral da OPEP, Mohammed Barkindo, teria dito no início desta semana que era prematuro aprofundar os cortes.

O preço do petróleo Brent, o contrato de referência mundial, caiu 2% até agora em outubro e o WTI dos EUA perdeu 3%. Quase um mês depois dos ataques, esses dois índices de referência caíram 6,8% e 8,5% no período.

Pela manhã, os preços do Brent e do WTI operam em alta, em uma semana relativamente tranquila para os mercados de petróleo, já que os agentes aguardam os resultados das negociações comerciais entre os EUA e a China em Washington. Em outros lugares, a Opep disse que o impacto mais notável do ataque às instalações sauditas foi a demanda de diesel do país, que subiu 16% ao ano, marcando o maior aumento mensal em cinco anos.

Clique para comentar

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para O Topo