O plano da ‘Premier League’ do Brasil é uma fonte de dinheiro em potencial, mas velhas disputas podem atrapalhar tudo

Foi, claro, há 30 anos que os principais clubes da Inglaterra se uniram para formar a Premier League, com todas as consequências que isso teve para o mundo do futebol. Menos lembrado é que os clubes do Brasil tentaram algo vagamente semelhante cinco anos antes – mas sua tentativa, que não durou além de 1987, foi um aborto úmido. Mas chegou a hora – e quase certamente muito atrasada – para os principais clubes do Brasil tentarem mais uma vez.

O potencial para uma divisão de primeira divisão, operando independentemente da Confederação Brasileira de Futebol (CFB), é enorme. Há dinheiro na mesa para ajudar a transformá-lo em realidade – mas não será fácil alcançar o grau de cooperação necessário para tal empreitada. Reuniões aconteceram e mais se seguirão.

Nesta fase, a maior cisão é econômica – disputas sobre como o dinheiro será dividido. Seis clubes – os gigantes cariocas Flamengo mais os cinco times da primeira divisão do São Paulo (Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos e Red Bull Bragantino) – propuseram uma estrutura e têm uma reunião para quinta-feira. Outros 23 clubes, 11 deles da primeira divisão, têm uma proposta diferente e querem se encontrar na segunda-feira.

– MLS, LaLiga, Bundesliga na ESPN +: jogos AO VIVO, replays
– Futebol na ESPN +: FC Diário | Futebol Américas
– Não tem ESPN? Ter acesso instantâneo

O primeiro grupo propõe uma divisão financeira de 40-30-30; 40% do dinheiro serão divididos igualmente, 30% de acordo com critérios esportivos e os outros 30% com base no mercado. O segundo grupo propõe uma divisão de 50-25-25. Mesmo que os números sejam acordados, ainda há muito escopo e detalhes para conflitos. Como devem ser acordados os critérios para a divisão esportiva e de mercado? Quão grande deve ser a diferença, por exemplo, entre o valor pago à equipe que terminar em primeiro e ao lado que chegar em último? Os melhores devem receber seis vezes mais do que os piores, ou a divisão deve ser no máximo três vezes e meia, tendo em vista um valor do tipo Premier League de 1,6? E como deve ser definido o valor do “mercado”?

READ  Melhores advogados do Brasil reconhece 20 advogados da Gibson Ton em 2022

Os critérios incluem comparecimento ao estádio, seguidores nas mídias sociais, participação em jogos de TV aberta, receita de streaming e TV paga e tamanho do apoio de um clube com base em uma pesquisa de opinião. Como todas essas coisas devem ser ponderadas?

Conseguir um acordo sobre todos esses aspectos não será fácil em um país onde os clubes têm se visto com mais frequência como inimigos do que como parceiros de negócios. Durante décadas, as equipes foram administradas como clubes sociais, onde o presidente é um cargo eleito e as disputas com os rivais locais caem bem com a base eleitoral. Mas agora, novas práticas de negócios estão surgindo – a lenda brasileira Ronaldo (Cruzeiro) e o acionista majoritário do Crystal Palace, John Textor (Botafogo) são agora donos de clubes – mas é difícil mudar um século de cultura.

E, seja qual for o modelo, inevitavelmente haverá conflito entre grandes clubes que querem manter sua vantagem e equipes menores que argumentam que a única maneira de crescer e competir é com uma divisão mais equitativa de receita. No momento, então, as manchetes estão todas voltadas para as disputas econômicas. Mas para que uma “Premier League brasileira” cumpra seu potencial, ela deve se tornar algo muito maior e melhor do que um mero distribuidor de receita.

Uma liga completa, capaz de trazer consequências do tipo Premier League, deve fazer muito mais. Deve, por falta de uma palavra melhor, cuidar do produto geral. Nos últimos tempos, provavelmente é bom que a primeira divisão brasileira não conte com uma audiência global massiva. As pessoas certamente ficariam desapontadas com o padrão do espetáculo.

READ  Os melhores 30 vaso sanitario para você

É verdade que seria injusto esperar um nível de intensidade semelhante ao das principais ligas europeias. Durante grande parte do ano, o clima torna isso difícil – e o tamanho do país força os jogadores a jornadas épicas que são impensáveis ​​em uma liga doméstica na Europa Ocidental.

Existem, no entanto, muitas áreas de melhoria possível. A qualidade dos arremessos deixa muito a desejar. Esta é uma área que a Premier League inglesa trabalhou duro para melhorar e que o Brasil certamente pode fazer o mesmo. Um arremesso melhor contribui para um jogo muito mais rápido e melhor. Do jeito que está, muitos jogos brasileiros são retardados tanto pelo campo quanto por árbitros excessivamente exigentes. Melhorar os árbitros e dar-lhes uma estrutura profissional adequada é outra tarefa que uma liga madura teria que assumir.

Mas aqui há um elefante na sala, que todos no momento parecem estar fazendo o possível para ignorar. Há muitos jogos na temporada brasileira, alguns deles sem sentido. O calendário brasileiro é uma busca constante para tentar encaixar três litros em uma garrafa construída para dois. Isso por causa dos campeonatos estaduais – um para cada um dos 27 que compõem esse país gigante.

Esses torneios são de grande importância para a história do futebol brasileiro – a falta de infraestrutura de viagens fez com que um campeonato genuinamente nacional não entrasse em jogo até 1971. Mas agora eles perderam sua utilidade e sobrevivem em grande parte por razões políticas. Eles são jogados no início do ano, de meados de janeiro a abril. Eles forçam os clubes gigantes a perderem seu tempo contra adversários minúsculos, e sua existência mata o glamour do início da liga nacional.

READ  Wipro anuncia mais de 500 empregos de tecnologia no Brasil

E não fazem sentido econômico – exceto São Paulo, o estado mais rico e populoso do país. Ao contrário de outros lugares do país, as cidades do interior paulista são suficientemente ricas para visar apoiar times de futebol de tamanho razoável. Este, então, é um campeonato estadual que faz sentido. Os maiores clubes do estado veem isso como uma vantagem competitiva e não gostariam de vê-lo desaparecer.

Como esse círculo pode ser quadrado? Uma das consequências de uma liga completa seria uma competição de um ano, sem espaço para os campeonatos estaduais que se constituem atualmente. Mas os grandes clubes de São Paulo vão concordar com isso? É inconcebível que uma liga possa seguir em frente sem os quatro mencionados. A esperança atual é que o novo projeto da liga coloque tanto dinheiro na mesa que todos os envolvidos encontrem uma maneira de esquecer suas diferenças. Mas haverá muitas reuniões – e algumas dores de cabeça – antes que isso aconteça.

Teremos o maior prazer em ouvir seus pensamentos

Deixe uma Comentário

PETROLINK.COM.BR PARTICIPE DO PROGRAMA ASSOCIADO DA AMAZON SERVICES LLC, UM PROGRAMA DE PUBLICIDADE DE AFILIADOS PROJETADO PARA FORNECER AOS SITES UM MEIO DE GANHAR CUSTOS DE PUBLICIDADE DENTRO E EM CONEXÃO COM AMAZON.IT. AMAZON, O LOGOTIPO AMAZON, AMAZONSUPPLY E O LOGOTIPO AMAZONSUPPLY SÃO MARCAS REGISTRADAS DA AMAZON.IT, INC. OU SUAS AFILIADAS. COMO ASSOCIADO DA AMAZON, GANHAMOS COMISSÕES DE AFILIADOS EM COMPRAS ELEGÍVEIS. OBRIGADO AMAZON POR NOS AJUDAR A PAGAR AS TAXAS DO NOSSO SITE! TODAS AS IMAGENS DE PRODUTOS SÃO DE PROPRIEDADE DA AMAZON.IT E DE SEUS VENDEDORES.
Petro Link