Óleo e Gás

Negociações fracassadas da Exxon deixaram a Petrobras presa em leilões

Enquanto muitas empresas estavam longe de estarem prontas para assumir enormes taxas de assinatura e investimentos, a Exxon chegou mais perto.

 À medida que as semanas passavam para o maior leilão de petróleo do Brasil, a Petrobras mantinha conversas cada vez mais frenéticas para encontrar parceiros em potencial, com o maior golpe quando a grande Exxon Mobil A Corp desistiu dias antes, segundo seis pessoas familiarizadas com o assunto.

Enquanto muitas empresas estavam longe de estarem prontas para assumir enormes taxas de assinatura e investimentos, a Exxon chegou mais perto, mas acabou não alcançando termos aceitáveis ​​para a rodada de licitações, segundo quatro das fontes, que pediram anonimato para discutir negociações confidenciais.

Com isso, a empresa estatal formalmente conhecida como Petróleo Brasileiro SA foi deixada para ancorar uma rodada de licitações embaraçosamente vazia na quarta-feira, com o apoio simbólico de empresas chinesas.

A grande rodada brasileira foi o último leilão offshore deste ano a superar as expectativas, prejudicada pela concorrência do óleo de xisto e outras fontes não convencionais, além de previsões de demanda mais baixas.

A maioria das negociações para formar consórcios entre a Petrobras e outras empresas de petróleo foi breve e informal, segundo as fontes. Mas as negociações com a Exxon foram relativamente avançadas, oferecendo à maior parte uma participação importante no cobiçado bloco petrolífero de Búzios até que as negociações desmoronassem nas últimas semanas, disseram fontes.

As negociações infeliz mostram como mesmo as empresas globais que estavam seriamente interessadas no leilão histórico de “transferência de direitos” (TOR) na quarta-feira não conseguiram aceitar os termos de uma parceria necessária com a Petrobras – há muito vista como um gargalo no desenvolvimento dos recursos de águas profundas mais promissores do Brasil.

O consórcio Exxon-Petrobras proposto, que incluiria as duas empresas estatais chinesas que finalmente compraram 10% dos direitos do bloco de Búzios, CNODC e CNOOC, daria um selo de aprovação do setor privado ao leilão histórico.

Em vez disso, a falta de grandes parceiros revelou como o papel poderoso da Petrobras no chamado “polígono do pré-sal”, juntamente com termos complicados de desenvolvimento e taxas caras de assinatura, desencorajam o interesse, mesmo entre grandes empresas com grande poder de compra, em um dos países do mundo. maiores reservas comprovadas de petróleo.

Exxon e Petrobras não responderam aos pedidos de comentários.

O CNOOC e o CNPC não responderam imediatamente aos e-mails enviados fora do horário comercial.

DIFERENÇAS EMERGE

Muito permanece incerto sobre por que as negociações não deram frutos.

Uma fonte disse que a Petrobras e a Exxon discordaram sobre o modo como bilhões de dólares seriam pagos à empresa brasileira em compensação por investimentos anteriores. Outros citaram diferenças sobre quanto investir em plataformas para acelerar a produção.

A Exxon estava interessada em assumir as operações no campo, não iniciador da Petrobras, de acordo com uma das fontes.

Todas as fontes concordaram que a natureza complicada do leilão de TOR teve um papel importante em impedir que as negociações chegassem à linha de chegada. Isso foi confirmado pelas autoridades brasileiras para explicar por que o país não conseguiu captar dinheiro de empresas estrangeiras de petróleo.

“É um sistema terrível”, disse o ministro da Economia, Paulo Guedes, na quinta-feira. “Você precisa passar por muitas camadas de negociações apenas para chegar ao petróleo”.

Devido a um acordo assinado entre a Petrobras e o governo brasileiro em 2010, a empresa estatal já tem direitos para desenvolver até 5 bilhões de barris de petróleo na área de TOR. O leilão de quarta-feira tratou de petróleo na área de TOR acima do que a Petrobras já havia sido prometido.

Como resultado, qualquer membro vencedor de um consórcio precisaria fechar um acordo complexo, reconciliando-se com as reivindicações existentes da Petrobras na região. O governo do Brasil precisaria então aprovar o acordo.

CONCORRÊNCIA FRACA

No final, a empresa estatal estava praticamente sozinha em apresentar lances mínimos para duas das quatro áreas da rodada de licitações da TOR, que as autoridades esperavam que cimentassem a ascensão do Brasil como potência indiscutível da América Latina.

A Petrobras venceu Itapu, o menor bloco em disputa, com uma oferta individual. Sépia e Atapu, o segundo e o terceiro maiores blocos, respectivamente, não receberam ofertas.

Se o governo tivesse vendido todas as áreas, teria colhido cerca de 106,5 bilhões de reais (US $ 25,8 bilhões) em bônus de assinatura. Em vez disso, o Brasil recebeu pouco menos de 70 bilhões de reais.

No dia seguinte, a Petrobras também estava quase completamente sozinha ao licitar o maior dos cinco blocos de petróleo oferecidos na sexta rodada de pré-sal do país, a área de Aram. O CNODC da China voltou a acompanhar a empresa estatal, comprometendo-se com uma participação de 20%.

Os resultados de ambas as rodadas foram amplamente vistos como uma decepção, já que nenhuma empresa privada fez ofertas por campos que sabidamente detêm bilhões de barris de petróleo não explorado.

O ministro da Economia Guedes disse à Reuters na sexta-feira que os leilões da semana foram uma “condenação” do sistema de compartilhamento de produção que o Brasil usa no polígono do pré-sal, acrescentando que o país precisa mudar para um modelo de concessão.

Após os resultados, o ministro de Minas e Energia do Brasil, Bento Albuquerque, disse que o governo aprendeu uma lição e ajustaria as regras de qualquer leilão futuro. Isso pode envolver a redução dos bônus mínimos de assinatura exigidos dos licitantes, entre outros parâmetros, disse ele.

“Estamos avaliando todo o processo e temos certeza de que vamos corrigi-lo”, disse Albuquerque à Reuters.

Para um gráfico do leilão TOR do Brasil:

Clique para comentar

Deixe uma Resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Para O Topo