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Dólar opera em alta, a R$ 4,26, após Guedes dizer que avanço não incomoda

O dólar comercial operava em alta hoje, perto de R$ 4,26, depois de ter fechado o dia ontem a 4,215 na venda, novo recorde nominal desde a criação do Plano Real. Às 12h, a moeda norte-americana avançava 0,99%, a R$ 4,257. No mesmo horário, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, caía 1,35%, a 106.957,01 pontos.

O valor do dólar divulgado diariamente pela imprensa, inclusive o UOL, refere-se ao dólar comercial. Para turistas, o valor sempre é maior.

Dólar alto não preocupa, diz ministro

Investidores estão pessimistas após o ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmar que, diante da redução da taxa básica de juros, a Selic, cotação de equilíbrio do dólar “tende a ir para um lugar mais alto”. Guedes deu as declarações ontem à noite, em Washington D.C., Estados Unidos. Para o ministro, o Brasil tem uma moeda forte, e a alta do dólar não é motivo de preocupação. “Os comentários do Guedes mostram que não tem uma preocupação com a taxa de câmbio no atual patamar”, explicou Camila Abdelmalack, economista da CM Capital Markets, à agência de notícias Reuters. “O mercado acaba achando que isso é uma indicação de que o BC não vai atuar.

Atuação do BC

Diante do salto histórico do dólar à vista, o Banco Central anunciou nesta terça-feira leilão de venda à vista de no mínimo US$ 1 milhão, em oferta líquida de moeda, à parte, portanto, do leilão de US$ 785 milhões no segmento spot conjugado com venda de swap cambial reverso. Com isso, o BC mostra ao mercado as ferramentas disponíveis em meio à desvalorização da moeda brasileira. Mas o anúncio da intervenção não está sendo suficiente para segurar o dólar. Mais cedo, o Banco Central vendeu 3.500 contratos de swap cambial reverso e US$ 175 milhões em moeda spot, de oferta de até 15.700 e US$ 785 milhões, respectivamente. Adicionalmente, a autarquia vendeu 8.100 contratos de swap tradicional para outubro de 2020 e 4.100 contratos para junho do ano que vem —ambos para rolagem do vencimento janeiro de 2020.

“Não se assustem se alguém pedir o AI-5”

Também repercutem no mercado declarações de Guedes sobre o AI-5 (Ato Institucional nº 5), ato da ditadura militar que endureceu o regime e abriu caminho para o recrudescimento da repressão, com militantes da esquerda armada mortos e desaparecidos.

Guedes se exaltou ao comentar os discursos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recém-liberado da prisão, e afirmou que as palavras do líder petista levam ao acirramento das ações do governo Bolsonaro. “Não se assustem então se alguém pedir o AI-5. Já não aconteceu uma vez? Ou foi diferente?”, disse.

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