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Construção civil se mostra o maior segmento da indústria de Montes Claros

Responsável por gerar empregos, renda e melhorias em infraestrutura, a construção civil também promove impactos diretos em outras atividades econômicas. Quando o setor vai bem, acaba por aquecer outras áreas da indústria, o comércio e os serviços. Exatamente por isso é considerado como “termômetro da economia”. E, em momentos de crise, como este que o País atravessa, as expectativas são direcionadas para o crescimento deste setor. Em Montes Claros, a construção civil se mostra pujante, sendo o maior segmento da indústria local, responsável por empregar mais de 5,5 mil trabalhadores e pagar em torno de R$ 11 milhões em salários por mês. Os números são um cruzamento entre os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). De janeiro a julho deste ano, arrecadou quase R$ 1,6 milhões em Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN), conforme informações extraoficiais da Secretaria Municipal de Finanças.

Para além da relevância econômica, a construção civil também desempenha importante papel social. A edificação de moradias reduz o déficit habitacional, enquanto os investimentos em obras promovem melhorias de infraestrutura no espaço urbano. Além disso, por necessitar de muita mão de obra, gera um grande número de empregos, boa parte direcionada a profissionais com menor qualificação e que encontram maior dificuldade para ingressar ou se recolocar no mercado de trabalho.

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A cidade possui cerca de 530 estabelecimentos que atuam no setor, segundo dados mais recentes da Secretaria de Trabalho do Ministério da Economia. “A construção civil tem grande relevância para a economia local e, também, para os municípios do entorno. Como somos uma cidade polo, atraímos pessoas da região para morar, trabalhar e consumir aqui. Termos um setor forte significa crescimento e desenvolvimento para todo Norte de Minas”, avalia o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Montes Claros (Sinduscon), Leonardo Vasconcelos.

Apesar de ainda sentir os reflexos da retração econômica, os investimentos seguem sendo realizados pelo setor na cidade, conforme observa o economista André Carvalho. “Ainda há os efeitos da crise, o que torna a retomada do crescimento para todas as atividades econômicas mais lenta. No caso da construção civil, os investidores ficam mais precavidos. No entanto, temos visto muitos imóveis em construção, o que demonstra um aquecimento acima dos parâmetros esperados para este tipo de contexto”, avalia Carvalho.

Em julho deste ano, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG) atingiu 53,8 pontos, o que representou crescimento de três pontos ante o registrado no mês anterior (50,8 pontos). O resultado mostra aumento do otimismo e, na análise do Sinduscon, foi “influenciado, principalmente, pelas expectativas mais positivas do setor para os próximos seis meses”.

Para o economista, a recente queda da Selic, que passou de 6% para 5,5% ao ano, pode trazer impactos positivos para a construção civil. “A redução tende a facilitar o acesso ao financiamento, o que pode contribuir para aumentar a demanda e os investimentos”. Neste sentido, ele acredita que as perspectivas para 2020 podem ser melhores. “A taxa de juros deve cair ainda mais e intensificar este impacto entre consumidores e investidores”, avalia.

Na avaliação do economista, a retomada consistente do crescimento da construção civil está atrelada à recuperação da economia. “Só assim as pessoas poderão ter renda para se planejarem para a compra de imóveis”. Carvalho destaca que, com a economia aquecida, os investidores também irão ficar mais confiantes para realizar investimentos em longo prazo, atendendo as demandas ativas também no setor de infraestrutura, como construção de pontes, rodovias e viadutos.

O vice-presidente da Fiemg Regional Norte, Adauto Marques Batista, que também é vice-prefeito de Montes Claros, concorda com a análise econômica. “A manutenção da taxa básica de juros Selic e a inflação controlada favorecem a retomada. O empresariado está confiante e isto pode fazer com que os projetos que foram paralisados saiam do papel”, explica.

Para além das questões que desafiam a retomada do crescimento econômico, o trabalho da construção civil pelos próximos anos deve se direcionar em três principais focos: o uso de tecnologias inovadoras para a implantação da chamada indústria 4.0, a inclusão de práticas sustentáveis na realização de processos e a garantia de acessibilidade nas novas edificações.

A indústria 4.0 se refere ao uso de inteligência artificial em toda a cadeia produtiva. “Ainda não estamos neste nível, mas a busca pelo conhecimento para chegarmos lá está acontecendo”, afirma Marques, concluindo que “este é o futuro para todos os setores industriais e é preciso envolver os empresários neste processo de transformação”.

Com relação às práticas sustentáveis, as empresas montes-clarenses também estão atentas. “As construtoras solicitam aos arquitetos projetos que tenham este conceito”, afirma Leonardo Vasconcelos. Ele exemplifica que a cidade tem prédios com medidor de água individualizado, iluminação em LED, gás encanado, coletores de lixo separados e outras aplicações que garantem menor impacto ao meio ambiente. A preocupação com sustentabilidade também está presente no canteiro de obras, onde já são realizadas a reutilização da água e o gerenciamento de resíduos. “São práticas que vão se intensificar cada vez mais”, garante o presidente do Sinduscon.

Com relação à acessibilidade nas edificações, para Vasconcelos a preparação também tem ocorrido na concepção dos projetos. “Há o reconhecimento de que este tipo de investimento é mais do que necessário. As empresas estão direcionando esforços neste sentido”, pondera.

 

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