Petróleo

Brasil investiga se ‘navio fantasma’ transportando petróleo venezuelano está envolvido em derramamento

Um grande derramamento de petróleo na costa nordeste do Brasil pode ter envolvido um “navio fantasma” que transportava petróleo venezuelano em violação às sanções dos EUA, disse um especialista próximo à investigação do desastre.

O Brasil acusou seu vizinho sul-americano de responsabilidade pelo vazamento que começou no início de setembro e afeta um trecho de 2.000 quilômetros da costa do Atlântico – acusações que a gigante petrolífera estatal venezuelana PDVSA nega.

Descrevendo o incidente como “muito complexo e sem precedentes”, a Marinha do Brasil diz estar investigando “muitas hipóteses” para a causa do derramamento em massa, incluindo um acidente de navio.

“Ontem tivemos uma reunião com representantes de vários órgãos públicos, como a agência ambiental Ibama, promotores e a marinha, e essa hipótese de um navio fantasma foi mencionada”, disse Maria Christina Araujo, oceanógrafa da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Norte, disse à AFP.

“Seria um navio de carga navegando ilegalmente, seguindo rotas marítimas pouco conhecidas, e estaria transportando petróleo venezuelano apesar das sanções”.

A Venezuela – uma nação produtora de petróleo outrora rica – está enfrentando uma crise econômica e um impasse político entre o presidente Nicolas Maduro e o líder da oposição Juan Guaido.

A situação piorou com rodadas sucessivas de sanções dos EUA contra o governo de Maduro, incluindo medidas que restringiram severamente suas exportações de petróleo.

O ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, disse em uma comissão do Congresso na semana passada que o petróleo “provavelmente veio da Venezuela”, citando um relatório da gigante estatal de petróleo Petrobras.

A Petrobras, que está envolvida na limpeza, disse que o óleo “não foi produzido nem vendido” pela empresa brasileira.

O petróleo apareceu em todos os nove estados do nordeste do Brasil – uma região pobre com uma economia que depende muito do turismo em suas praias pitorescas.

Até agora, quase 200 toneladas de petróleo foram retiradas das praias afetadas.

O presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, afirmou que o derramamento de óleo foi obra de criminosos.

Mas Araújo disse que era mais provável um “vazamento acidental”.

“Nunca vimos no Brasil um desastre de magnitude que afeta uma área tão extensa”, acrescentou.

Pelo menos 13 tartarugas foram encontradas mortas, segundo o Ibama. A ONG Verdeluz registrou 21 mortes de tartarugas apenas no Ceará como resultado do derramamento.

O Tamar, um grupo dedicado à proteção de tartarugas marinhas, disse que o vazamento foi “a pior tragédia ambiental” que encontrou desde a sua formação em 1980.

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